domingo, 25 de dezembro de 2016

bilhete

"faz quatro meses que não nos vemos. não nos falamos há pouco mais de três. você não sabe como eu estou e nem eu sei como você está. 
ainda não entendi o que aconteceu, como e por quê. parece que uma chave virou, um botão desligou. alguma coisa parou de acontecer aí. e eu ainda não me conformei que você não está mais no meu dia a dia. 
eu não te esqueci. não consigo. não é como se eu não tentasse, não é como se eu não quisesse. no fundo, eu sei que você "não é pra mim". mas eu não encontro em ninguém o que você me dava. 
eu sinto falta de ouvir a sua voz, do cheiro do seu carro, de discordar da sua posição política. sinto falta do carinho que em algum momento você me deu. da atenção, da afeição. 
você nem sabe, mas eu amo você. eu percebi isso nesses meses que não nos falamos e a sua falta me entristeceu de um jeito que eu nunca achei que fosse acontecer. eu percebi que te amo porque mesmo já sabendo de muitos dos seus defeitos, de que muita coisa em você me desagrada, eu continuo sentindo a sua falta. 
queria que você me procurasse, ou que a gente se encontrasse numa situação que não envolvesse amigos, noite, bebedeira e, de repente, outra pessoa.
que medo de te ver com outra pessoa...
será que você ainda pensa em mim? 
só queria que você soubesse que você me fez muito feliz. e que a sua ausência me destruiu.
eu tenho rezado todas as noites pra que esse vazio acabe, pra que alguém apareça e me incentive a mudar o foco. 
em fevereiro esse capítulo da nossa história completa um ano. e a nossa história vai ter quase onze anos. e antes isso tudo fosse parte de um livro que eu pudesse simplesmente parar de ler quando o enredo me desagradasse. antes eu não tivesse sucumbido à minha carência naquela terça de carnaval. 
eu trocaria toda a felicidade que tive com você pela paz de nunca ter sabido o que seria de nós dois."

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